CONHEÇA MELHOR UM HOMEM APAIXONADO.



O que caracteriza um homem apaixonado é aquele olhar assemelhado a um baiano sonolento, impregnado nos seus olhos, o que lhe determina uma característica especifica, popularmente denominada pela expressão: “olho de Peixe”. Aquele ar de idiota é só uma primeira e precipitada impressão. Ele está amando mesmo!

Eventualmente, homens mesmo não apaixonados podem apresentar tal característica, quando, por exemplo, ele enche a cara de álcool, só que nesse caso, além daquela singela cara, exala um vigoroso bafo etílico - tipo boca de alambique - e a conversa fica, absolutamente, insuportável, pois, o alcoolizado se sente encorajado a falar sobre futebol, política, Grécia antiga, piscinão de Ramos, mulheres andróides, física quântica, psicanálise, corrupção, filosofia clássica, astrofísica contemporânea, genoma humano, nanotecnologia, a recriação do big bang em laboratório, enfim, fala, fala, fala...

Já o apaixonado sóbrio, por estar completamente comprometido com aquela nova realidade das suas emoções, não admite sequer pensar em fugir nenhum minuto das suas fantasias amorosas. Só pensa naquilo e passa a ter um conjunto de comportamentos bem definidos, como falar de uma forma lerda, como se a língua estivesse enrolando no céu da boca e já estivesse cansado só em pensar que não vai conseguir parar de pensar nela.

Anda, como se estivesse pisando em ovos.
Este homem, fica absolutamente ,envolto e escravizado pelos sintomas de um amor eloqüente, é acometido de certa moleza corporal. Precisa ficar encostando-se em tudo, talvez para sentir as pernas nenos bambas e uma pseuda sensação de incômodo na boca do estômago. Fala com os amigos apertando-os, em voz baixa, com voz melosa e arrastada, sem ter pejo ,nem medo, de estar sendo ridículo. Fica um chato e só pensa em dar flores para sua amada.

Só fala em momentos, fatos e significados que só tenham valor para ele, pois são besteiras, inutilidades e notícias que nem as rádios comunitárias se preocupariam em divulgar.

Na maioria das vezes, o apaixonado é hilariante, como por exemplo, quando ele começa a descrever o jeito peculiar e único de como ela tira cera do ouvido, ou o jeito peculiar e único dela passar a mão no seu pescoço dele, o jeito peculiar e único dela estourar com a boca aquelas malditas bolas de chicletes ,o jeito peculiar e único dela ficar enrolando as pontinhas dos cabelos e ficar chupando tudo que lhe alivie a ansiedade.



Eu costumo dizer que este tipo de humano está com seus sistemas operacionais libidinosos, empanturrados de material especifico para uma farta e abundante reprodução da espécie, numa temperatura e pressão acima dos limites máximos permitidos pela fisiologia da normalidade.

Então é preciso expelir ,assim como, também acontece com as águas das grandes represas quando necessitam vazar ,esvaziar, verter e o escambau, devido ao excesso de pressão.


E bota pressão, nisso!

Esse tipo de sujeito enche o saco!

Vive perguntando tudo: o que você acha dele comprar aquele broche com aquela borboleta escarlate de olhinhos amarelos sugando o néctar de uma imitação de flor pendurada naquele galhinho de árvore, para ela?

Ou será que ela iria preferir aquela calcinha com um lindo coração, escrito: ”Gaiola do seu pica-pau”, bem na altura da sua “coisinha”, ou então "joaninhas trepando".
Fala sério!


Um homem não apaixonado, jamais usaria este termo “coisinha” para adjetivar o que normalmente, ele chama de perseguida, perereca ou aqueles outros dez mil nomes dos quais ele não esquece, nenhum !

Só um homem apaixonado chamaria aquilo de “coisinha”.


São absolutamente, hilárias certas colocações do homem apaixonado. O carioca que já fala, normalmente, no diminutivo, o que dirá quando apaixonado.

É o diminutivo do diminutivo, como, por exemplo:

- “Cara a gente estava tomando um chopinho, bem geladinho, e aí dei um beijinho naquela boquinha quentinha e muito gostosinha. Pô, meu irmão, que corpinho, que coxinha. Que mulherzinha. O maior baratinho, aí!”. E quando eles começam a descrever os encantos da parceira?

Então, está na hora de você deixá-lo falando sozinho.

Ele nem vai notar, pois, é um delírio que só os apaixonados se permitem: ficarem falando sozinhos e independente da presença de interlocutores.

O QUE NÃO DEVERIA ACONTECER NO MOTEL



Existem pessoas que vão ao teatro e são incapazes de se concentrar no palco.Olham para as roupas das outras suas jóias, ficam procurando por possíveis conhecidos, querem saber de onde é que está vindo aquele feixe de luz vermelha, olham para trás sorrindo para todo mundo, enfim, sua capacidade de concentração no objetivo principal da atividade é muito reduzido.

Outras entram no cinema com várias latas de refrigerante e aqueles malditos e enormes sacos de pipoca, abrem as latas comem as pipocas e, ainda chutam o cara da frente !
Depois desta guerra toda, afundam na cadeira e começam a dar estouro com a boca mascando o chiclete.
Eu nunca aprendi, a fazer este barulho desgraçado com a boca. Tem que chupar o chiclete para dentro, não é?

Este tipo de gente aqui, sumariamente descrita, quando entra no motel, é pior do que você assistir noventa minutos de futebol e seu time perder de goleada! A sensação é que não aconteceu nada de bom para você, naquele dia.

Carlos Eduardo e Vera Regina se conheceram dois dias atrás e finalmente, estão no motel.

Como demorou, reparem!

Ele pergunta:

Você faz questão que seja suíte, ou pode ser apartamento?

-Pô Carlos Eduardo, vamos comemorar esta primeira vez numa suíte com tudo que temos direito, hidromassagem, piscina... - responde Vera Regina encantada com a portaria do motel e olhando todos os detalhes, querendo ler até os regulamentos, ali fixados por mera formalidade.

Entram na suíte e Carlos Eduardo dá um solavanco e literalmente, joga Vera Regina no leito dos prazeres.Ela se desvencilha daquele primeiro ataque e assombrada diz:

-Carlos Eduardo que suíte maravilhosa! - E como se estivesse no Museu do Louvre começa a comentar as peças.

O cara meio desajeitado levanta e ainda tenta negociar:

-A gente vê tudo depois...

-Espera Carlos Eduardo, parece um tarado. Nunca viu mulher,não? Olha ali aquela borda da piscina. É mármore. Não acredito.Nossa que azulejo lindo!Ah, se eu tivesse uma piscina destas lá em casa, com esta cascata desabando dentro dela.Que bom gosto! – enquanto, olhava, andava pela suíte e entra no banheiro.

-Vera Regina, vai tomar banho?

-O quê, Carlos Eduardo?

-Tomar banho, Vera Regina?

-Depois. Antes venha aqui ver estas peças que maravilhas. Esta suíte é Over Night Luxo Plus , Premium Gold ou Country Executiva?

-Que é isso Vera Regina, eu sei lá.

-Nossa como você é desligado. Está aqui. Neste folheto de propagando do motel. Veja, são as suítes do motel... Ah descobri, finalmente! Estamos na Premium Gold. Vamos ver se eles estão dizendo a verdade nesta propaganda.

-Vera Regina, por favor - pede suplicando Carlos Eduardo para que ela compareça ao local de trabalho.

Mas, ela não está nem aí e continua deslumbrada visitando e fazendo minuciosa inspeção.

-Bem eles dizem que as torneiras são de bronze e elétricas, decoradas estilo golfinho.Tá certo. O piso em mármore preto e azul. Está certo.A duchinha de lavar a "perereca" com três temperaturas e intraducha penetrante higiênica para o interior da “bichinha”.Que diabo é isso Carlos Eduardo, onde está isto aqui nesta ducha?

-Eu sei lá, porra, não tenho "perereca", como é que vou saber desta porcaria de intraducha penetrante - responde visivelmente irritado, colérico e já descontrolado.

-Ah, lógico. Já descobri.A ducha, Carlos Eduardo é só para lavar superficialmente. Agora para usar a intraducha com o elemento penetrante, tem que apertar este botão. Está vendo este tubinho cromado, saindo de dentro da ducha? Não parece o piruzinho dela?-Risos, muitos risos prolongados, e continua:

Então, ele entra na bichinha. Pô muito legal.Mas acho meio perigoso. Sei lá quem andou enfiando isso lá dentro antes, não é Carlos?

Carlos Eduardo, a esta altura já não respondia mais. Nu e de meia preta, fica se olhando no teto onde um espelho imenso dá uma visão panorâmica da cama e da sua ridícula posição. -Ah, está caladinho, porque gostou do espelho do teto, né? Realmente é lindo. E estes das laterais, também são enormes. A roupa de cama cheirosinha e que belezinha com estes dois corações aqui, um em cada fronha. Ah, Carlos Eduardo, tudo muito lindo! Liga o som querido - pede com jeitinho de quem vai fazer agora, a coisa definitivamente, deslanchar.

Então Carlos Eduardo, no embalo liga tudo: o som, o ar condicionado, a televisão...

-Não, Carlos Eduardo, filme pornográfico, não...
-Vera Regina, aqui não passa missa pela televisão. É motel !

-Está bem, se você gosta, não tem problema. Agora eu não sei porque esses caras botam legendas nestes filmes, se você só escuta: aaiiii , uuuiiiii, aaiiii, ooohhhhhh!
Para que legenda?

Vera Regina, segura, Carlos Eduardo, e o leva até a mesa onde estão os pratos e talheres.

Ela está encantada. Diz que a prataria é de primeira. As facas são importadas, abre o frigobar e vê que tem até pote de caviar.

- Está vendo Carlos Eduardo, esta suíte é realmente a Premium Gold, pois eu li naquele folheto que é a única que tem tudo que você precisa, para antes durante e depois.

-Vera Regina, já estamos a quase uma hora aqui dentro e nada.Você é lésbica?Não gosta de sexo, qual é a tua?

- Carlos Eduardo, você só pensa em sexo.Calma, deixa só eu ver se tem camisinha de Vênus na cômoda. Parece um animal tarado querendo acabar com a fêmea. Nossa!
-Carlos Eduardo, então parte para cima dela enfurecido e tira do bolso uma quantidade enorme de camisinhas, fazendo um leque com elas e diz:

-Agora chega, e jogando Vera Regina naquela imensa cama redonda, antes de calar-lhe e dar inicio aos trabalhos, ainda ouve:

-Oh, que delicia de cama.Como é macia! Com certeza e de pena de ganso. Já era tarde, pois Carlos Eduardo a emudeceu completamente com um beijo de língua, guardada o mais profundamente na boca de Vera Regina que agora tentava, desesperadamente, falar com os olhos e inutilmente, pois Carlos Eduardo iria independente da desconcentração da companheira, afogar com relativo atraso e merecidamente, o seu ganso!

DA TROMPA DE ESTÁQUIO À TROMPA DE FALÓPIO,OU SIMPLESMENTE BOLERO.




Quando a dança era sensual e romântica, os casais tinham a oportunidade de conversarem durante, por exemplo, um bolero.

Eram ritmos mais calientes e hora de haver uma comunicação efetiva e muito produtiva, pois o casal conseguia trocar frases de amor, tendo o ouvido externo como embocadura e a Trompa de Eustáquio, para dar passagem aos seus roucos, quentes e molhadas súplicas de paixão. Vamos explicar primeiro, para àqueles mais jovens e adeptos de ritmos mais agitados, como os funk da consagrada artista pátria: Tati Quebra barraco ou o funkeiro internacional: Lacraia, como é que se dançava bolero,

O bolero era dançado, com os corpos coladíssimos e cabia ao homem experiente, dar as chamadas “paradinhas”, muito comuns neste ritmo, e concomitantemente, enfiar uma das suas coxas entre as coxas da parceira.

Uma beleza!

Além desta enfiada de coxa, o homem dava-lhe uma suave empurrada para trás, apoiando-lhe carinhosamente, entre as pernas o que tornavava aquela “paradinha” um verdadeiro encontro entre as águas de um rio com as do oceano, fenômeno este conhecido como: Pororoca. Uma delicia!

Obviamente. Apesar de naquela época os homens usarem “suporte”, que como o próprio nome induz, suportava o crescimento do seu membro, além da cueca que eram todas" samba canção", mas mesmo assim, o aumento do volume na calça do homem era evidente.
Um constrangimento!

Pior era quando ele não usava o tal suporte nas partes baixas, então a música acabava, a dama o deixava, e às vezes para não ser pilhado em fragrante delito, o homem tinha que se sentar no meio do salão ou fingir que era aleijado, saindo quase abaixado do campo de batalha.



Desempenho de um experiente ator.
Principalmente – e este era o eterno perigo - se os familiares da moçoila estivessem admirando os dois meigos pombinhos e seus passos angelicais.

Nestas situações, sempre havia uma tia feia e maldita, para chamar a atenção dos pais da moça que o cara estava com o pênis ereto.

Às vezes havia um conflito e pancadaria generalizada, com cadeiras voando e palavras de baixos calões que, nem nas maiores torcidas do futebol brasileiro, costumamos ouvir.

Eram nestes episódios inenarráveis que a trompa de Eustáquio durante todo o tempo assimilava aqueles quentes gemidos masculinos e frases de amor repentinas que, efetivamente, eram quase declarações para uma cópula iminente e, lógico ,por mais contida que fosse a dama, sempre repercutia lá na Trompa de Falópio dela.

Eram tempos muito emocionantes, imemoriais e inesquecíveis!

Na modernidade, com estas danças que parecem corridas de cem metros, nas quais ,os casais na maioria das vezes começam juntos, naquela noite romântica, e só se encontram no dia seguinte,pois são tragados pela multidão ao som de bate-estaca.

As funções sensuais das Trompas de Eustáquio e da Trompa de Falópio eram também, muito valorizadas, pois além de sussurros quentes no ouvido, o casal ,quando o salão estava muito cheio, ia dançar bem lá no meio, longe das mesas que circundavam a pista e, então, ardentes beijos na boca eram dados, às vezes tão demorados, e com tantas "paradinhas" e mexidinhas que os cavalheiros começavam a tremer, como que estrebuchando, as pernas bambeando, sossegando em seguida, como se tivesse “aliviado”, daquele estresse libidinoso.
E, realmente estava!
A dama é que ficava um pouco contrariada.

Porém para sai r dali, os homens tinham, novamente grandes dificuldades e fingiam que derramaram algum liquido tipo cerveja ou cuba libre na altura do seu instrumento de trabalho, em face da evidente implosão ejaculatória masculina, acometida, durante aquele quiproquó dançante.

Como era romântico!

Quase que eu fiz medicina, no entanto, avaliei melhor e achei que ser ator era uma profissão mais apropriada, em função das minhas performances e experiências adquiridas como assíduo freqüentador dos bailes, onde só tocavam boleros.

"Bésame, bésame mucho,

Como si fuera esta noche la última vez..."

LINGERIE DA ENCRENCA !


Nenhuma mulher se cuida, se embeleza para desagradar o companheiro. É lógico!
Tanto homens, como mulheres, no entanto, podem não acertar no tom da cor, no tamanho da saia, no corte de cabelo, mas o melhor, é ser educado e saber colocar as coisas sem agressões gratuitas, como esta:

-Amor, gostou desta minha nova lingerie que comprei pensando em você?- Perguntou Márcia Helena ao seu maridão, meio barrigudo, comendo um sanduíche de mortadela no sofá , bebendo cerveja pelo gargalo da garrafa , sujando todo o tapete de farelos e sendo lambido, delicadamente, pelo seu pitbull de estimação.

-Isso é lingerie ou fantasia de escola de samba? -Estragando logo a festa , aquele seu companheiro, apelidado na vizinhança de Marcio “Cavalo”.

-O quê? Fantasia seu grosso? Isso é a última moda em matéria de sensualidade, ela tem predrarias vermelhinhas, tá vendo aqui perto dos meus seios, e alguns vidrilhos, miçangas, bordados e lantejoulas, nesta altura aqui, onde você gosta tanto de visitar, quando é do seu interesse...

-Meu interesse, não! Ninguém faz sexo sozinho...

-Você faz sozinho, rapidinho, é bruto, está sempre me machucando. Oh que inferno! -desaba Márcia Helena em choro compulsivo e que não abala nem um pouco Marcio “Cavalo” que, ainda retruca com voz de torcedor de futebol, rouca e aos berros:

-Esta coisa pendurada aí vai machucar meu membro.Estes vidros, pedras, vou sair todo arranhado.Pô você virou mulher - pedreira?- incrementou ainda mais o maridão deselegante.

Entre soluços profundos e severas fungadas de nariz, Márcia Helena disparou:

- E você, com esta tatuagem de São Jorge guerreiro, no peito? Pensa que eu gosto de ir pra cama com um homem que fica me espremendo com esta espada imensa de São Jorge, e este focinho do cavalo me roçando no corpo?Eu sou católica, detesto esta tatuagem, é falta de respeito.

-É por isso que eu sempre peço para “ir por trás, na frente...”então, você não veria nada...

-Seu idiota, mentiroso. Quando você pede para ir por trás, é por trás mesmo...Não deixo, não gosto e acabou.Dói!

-Então, encara o São Jorge de frente. Eu é que não vou pra cama com você com esta tal de lingerie vermelha, cheia de penduricalhos e quinquilharias, parecendo uma pomba gira, uma galinha de encruzilhada - massacrava o “Cavalão” rindo como se fosse realmente, engraçado, enquanto o pitbull, latia sem parar.

-Você não é o culpado, não. Culpada, fui eu que poderia ter ficado com o "Tutinha".
Um homem fino, educado, companheiro...

-E viado, o bairro todo sabe...- interrompe “Cavalão”, acertando mais uma impiedosa patada em Márcia Helena.

-Pois sim, um homem muito fino.

-É muito! Muito tenro, muito boiola, muito moçoira, muito “mulherzinha”...

- Pára, seu nojento, engole primeiro este pedaço de pão caído na beirada da sua boca, seu porco.

-Mas, você adora as porcarias que eu faço, né? Vem cá gostosa.

-Tira a mão de mim.Eu juro que você nunca mais vai fazer sexo comigo. Nunca mais ouviu? E vai dormir no sofá, na minha cama, não.

Porém, já na segunda noite, Marcio “Cavalo” de madrugada, sai do sofá onde estava dormindo com seu pibull, e devagarzinho entra no quarto de Marta Helena. Ela está de bruços. Uma suntuosidade que não podia continuar em desuso. Aproxima do ouvido dela e pede, carente feito criança no circo querendo algodão doce.

-Querida eu quero ser soterrado nesta pedreira, por favor, não agüento mais.

Martha Helena vira-se de frente, encara Marcio “Cavalão” e diz:

- Está bem, mais eu vou sufocar para sempre, este seu São Jorge, com meus peitos!

E o pitbull saiu do quarto, balançando o rabo, cheio de felicidade!

Realmente, cachorro é o melhor amigo do homem, muito mais do que certas lingeries, ou aquelas tatuagens profanas!

CARTA PARA UM AMOR DESASTRADO. SERÁ?

Minha doce e desinteressada mulher, protagonista principal de todos os meus sonhos, passados, presentes e futuros.

Não é assim que você gosta que eu a chame? Mulherrr arrastando bem no érre?

Durmo e acordo, acordo e durmo com você povoando minha mente, tal qual um pirilampo piscando, piscando, piscando...




Não pense que eu vou reclamar nesta carta, por causa daquele soninho que mais uma vez você tirou, durante nossa excitante brincadeirinha sexual. Isto já faz parte das nossas vidas. Eu já me acostumei. Só não gosto quando você bebe demais e desaba roncando.

É o preço.

Optar por ficar junto de uma mulher liberada, globalizada, informatizada, bilíngüe e fortíssima personalidade, tem lá suas peculiaridades. Em geral dorme-se um pouquinho depois, mas você inevitavelmente dorme sempre durante. Se não tivesse conhecido tantas mulheres, por essa vida afora, e a única e grande experiência só tivesse sido você, juro que ao invés de fazer sexo, preferiria jogar dominó. Não fico chateado. Você vai se recuperar, lentamente. Só não pode ser muito lentamente, porque nossa média de vida é curta.

Mas creia, pelo contrário, passo horas pensando - ainda mais agora que eu estou desempregado - que se, por exemplo, você fosse lésbica,destas que fumam até charuto, seria muito pior.


Afinal esta alegria que eu sinto, abaixo da linha da cintura, mais precisamente, na parte central entre as minhas, duas virilhas, quando lhe vejo, é um fogaço santo e independe se você esta dormindo, alcoolizada ou quase morrendo: Eu lhe amo demais! É só pensar em você e pronto: levanta minha alegria de viver!



Você arma meu circo, legal!


Em suas mãos pareço uma frágil casa de madeira sendo levada por um tornado. Realmente, o amor é lindo! Mas querida vou lhe pedir um grande favor.



Não vá ficar chateada, por favor, com estas observações, que podem parecer até mesquinhas, mais na última vez que, estivemos juntinhos, aqui em casa - e lógico que por absoluta distração - você levou meus cartões bancários. Já constatei gastos superiores a treze mil reais em pequenas compras e saques.

Eu sei que isto deve ter sido uma necessidade imperiosa e muito maior do que sua irrepreensível postura moral. No entanto, convenhamos foi uma dura facada nas minhas costas. Você sempre fala: “o que é meu é seu e, vice versa”. Mas meu amor, não leve tanto ao pé da letra estas suas filosofias utilitaristas. Dê uma freiada! O fato é que, além do cartão, sumiu também, meu talão de cheques, dois anéis de ouro, um outro de platina cravejado de diamantes e um cordão com imagem de Santo Expedito do qual, aliás, você é tão devota.

Outra coisa minha virtuosa, por acaso o relógio que meu tio me deu de presente quando me formei, está com você? Já procurei a casa inteira e não consigo encontrá-lo. Fiquei até pensando:-

- “Logo aquele relógio de bolso, que ela tanto gosta e vive pedindo”.

E você até merece. Ele é todo em ouro maciço e pesadão, coisas que não se fabricam mais. Sempre foi, o seu grande sonho de consumo.Que chato, desapareceu! Será que está em algum lugar que eu esqueci de procurar? Minha princesa, eu não quero que você pense que a estou caluniando.

Juro que seria capaz de cortar a minha língua. Língua não, pois certamente você sentira falta.

Um dedo. Não, não se assuste: o mindinho.

O pior é que o azar nunca vem sozinho. É impressionante. Lembra-se daquele elefante de marfim, legitimo, da África do sul, cujos olhinhos são dois diamantes incrustados, que fica numa base de prata? Desculpe meu amor, mas quando você saiu é possível que o tenha colocado, dentro daquela sua mochila enorme que sempre anda com você. Dá uma olhada neste mochilão, minha eterna e adorada gostosa.

Você tem a boca mais carnuda, sensual e nervosa que conheci. A mão, também!

Ah, estes seios que estão sempre olhando para cima, acesos e atentos.




Sabe esta tatuagem com o símbolo da nossa moeda, na parte interna da sua coxa, próximo ao seu parquinho de diversões, ficou lindo! Geralmente as mulheres preferem borboletinhas, pica-pau, rosas, enfim, estas coisas já tão banais.

Mas como você é criativa! Um dia você me disse que iria fazer uma tatuagem que seria a minha cara! Ficou lindo este $.
Olha que coisa estranha, minha fada: antes de você vir aqui para casa, neste último final de semana, passei rapidinho no "Cantinho do Adriano" - aquela casa de variedades que fica aqui na esquina - e, comprei três garrafas de uísque Chivas Regal 18 anos e caríssimas, duas garrafas de vodka russa legitimas importada, meia dúzia de licores, é só os que você gosta: Mozart Amadé, Dom Benedictine, Maraschino Luxardo (só este foi cento e vinte reais) e outras bobagens de menor valor.

O entregador quando chegou, eu mandei que ele colocasse tudo na adega, porque você estava subindo e, eu não tinha nem tomado banho ainda.
Assim que ele saiu, você chegou. Agora, olha que safado! Depois que nos despedimos eu fui conferir a entrega e está faltando mais da metade do pedido do que encomendei. Que ladrão descarado. Quanto a isto não fique preocupada, eu resolvo. É impossível que neste seu mochilão coubessem tantas quinquilharias, certo?

Estou muito grilado e, não sei por que viajou tão inesperadamente, para o Paraguai. Logo Paraguai! E eu nem sabia que você tinha parentes aí. Espero que você tenha deixado o endereço correto. Estou mandando para o e-mail que você me indicou:
benzinho171mochilão@mãogrande.com/.

Para terminar vou lhe dar uma má notícia. Sabe aquele colar de brilhantes da minha falecida tia, que um dia você me pediu, e eu disse que ele seria para nós comprarmos nosso apartamento?


Está "temporariamente", desaparecido!

Veja que azar! Mas fica tranqüila, sou um cara cabeça oca, mesmo. Vou me lembrar onde coloquei. Não fica nervosa, nem estressada com isso! Mas, pelo sim, pelo não, procure dentro daquela sua enorme mochila que sempre lhe acompanha.

Beijos. Só um, para não ficar muito caro!