NEM PARECE, MAS TAMBÉM, JÁ FUI CRIANÇA !


Eu nunca desejei falar de flores, amores, encontros, final feliz, mas tenho pensado que não custaria nada tentar.

Então, coloquei-me sentado no alto da montanha das minhas fantasias e ao olhar ao meu redor, vieram-me às recordações da minha primeira namorada de infância, quando tudo ainda era sonho, entre os mais maravilhosos delírios afetivos e impossíveis de se concretizarem: o amor de duas crianças.

Hoje eu sei que ela existiu, mas não tem rosto, nem formas físicas, apenas uma saudade cruel que, por provocar-me arritmia, sei quando ela está por perto.

Minha primeira namorada tem nome: Sônia

Tem cheiro: de inocência.

Local também: minha vizinha.

Idade: provavelmente, seis anos.

Escrevia-lhe o nome trocando o N pelo M então as cartas que lhe mandava começavam assim: Ninha querida Somimha.

Creio que como ela também, deveria ler muito mal os meus erros nem eram notados, apenas deveria ver os corações, com aquelas enormes flechas – que hoje sei, são de cupido – que eu desenhava em folhas de jornal e os pintava com lápis de cor vermelho, colando-os na carta.

E o papel era o dos meus cadernos da escola que, por esta razão, as outras folhas iam se soltando e minha professora fazia insistentes queixas a minha mãe.

Meus cadernos viviam desabando, mas meu coração era sempre arrumadinho.

Eu, por amor a minha Soninha, nunca disse que era para escrever cartas para ela.

Levei, por causa disto, alguns benditos puxões de orelha, mas a causa era nobre.
Valeu!

Meu silêncio era como se eu não quisesse trair o calor do sol, o perfume daquela flor de jasmim ou ser castigado por Deus e ficar cego, não podendo então, nunca mais, ver a beleza de uma árvore de flamboyant em flor com seus cachos vermelhos dependurado que, ao caírem inundavam a rua de beleza e agora, o meu coração, de saudade!

Nunca a beijei, jamais senti a textura dos seus cabelos, nem a suavidade de sua pele, porém não sabia viver as noites sem ela. Nem os dias.

Amor de criança é muito mais verdadeiro. Não tem libido, feromônios, nem atração física é só vontade de estar ao lado, sentir a proximidade, ou o calor à distância do corpo, e à noite abraçar-se ao travesseiro e beijar-lhe a fronha, suavemente.

Lógico, pensando nela.
E por uma só vez, tive o atrevimento de dar-lhe um ramo de flamboyant em flor.





Ela apanhou e saiu correndo!

Foi assim que amei Soninha, tão simples e verdadeiro que, desapareceu fisicamente, da minha presença, mas nunca dos meus mais intensos, belos e inacabáveis devaneios.

Então, vocês nunca pensaram que eu seria capaz de falar de flores, não é?

PARA OS HOMENS, O QUE SERIA MELHOR DO QUE UMA MULHER ?





-Várias.

-Mulher rica, com no mínimo, um milhão.

-Mulher muda.

-Mulher que goste de fazer massagem relaxante com todas as suas variáveis implícitas decorrentes, inevitáveis e endurecedora.

-Mulher que não finja que já está dormindo.

-Mulher que atinja ao orgasmo, sem ficar detalhando, que foram múltiplos e infinitos, deliciosos,variados,bem temperados como se estivesse falando do almoço de domingo.

-Mulher que não fique pedindo para você “ir junto”, naquela hora decisiva, que nem ele sabe se vai!

-Mulher que não tenha a síndrome de locutora no rala e rola, tipo: Isso, aí mesmo! Mais pra baixo, pro lado, agora pra cima, eu disse pra cima seu asno, mais um pouco, assim, vai, vai, vai, espera.Vamos... E no final ainda pergunta: foi bom!

Mulher que goste e torça pelo mesmo time de futebol que o seu marido.


-Mulher que acredite em todas as suas mentiras.

-Mulher que não goste de cartão de crédito.

- Mulher que deteste severa, aguda e irreversívelmente, ir ao shopping.

-Mulher que não exija aquelas eternas preliminares às seis horas da madrugada de segunda-feira, dia de trabalho...Lógico!

-Mulher que não interrompa a ritualística sexual com observações, tipo:
- “Ah desculpe, querido antes de você gozar tenho uma coisa importantíssima para lhe contar...”.

-Mulher que não tenha ciúme daquela vizinha gostosa que está dando mole para seu maridão.

-Mulher que fica perguntando de meia em meia hora: Tô cheirosinha?

-Mulher que fica mandando você abrir a torneira quando seu xixi, não quer sair e depois fica perguntando: Já fez, benzinho?

-Mulher que pergunta histérica e insistentemente, se você levantou a tábua do vaso sanitário e, como complemento: se urinou no chão.

-Mulher pão dura que pergunta indignada: Nossa já acabou o papel higiênico?

- Mulher compreensiva que reconhece que o homem precisa variar de vez em quando, para ter uma saúde sexual inabalável, diferenciada, multifacetada, ampla, geral e irrestrita!

-Mulher que tem sempre alguma sobra do seu salário para emprestar ao companheiro.

-Mulher que na época da TPM vai para a casa da mãe dela.

RESPEITÁVEL PÚBLICO : HOJE TEM SACANAGEM ? TEM, SIM SENHOR !



Ando meio abatido e as minhas fantasias afetivas abaladas pelo que transformaram, impunemente, aquilo que um dia já foi um tão esperado e desejado, beijo na boca.

Nestas baladas e bailes raves, nos quais faz-se uma verdadeira olimpíada de beijos na boca , dependendo das quantidades e como são as pegadas, você pode ganhar além de muita saliva, quem sabe também, uma significativa troca de virus e bactérias indesejáveis? Tem de tudo!






Agora, também nos programas de televisão, juntam-se casais que nunca se viram e num deles, aos domingos, o melhor beijo na boca ganha um mil e duzentos reais, sendo, seiscentos para cada um do casal, e no outro, aos sábados à tarde, os rapazes conhecem a menina ali na hora, sorteiam de dentro de uma sacola ao som de uma música cuja letra é, bole, bole, bole, mexe, mexe, mexe, e tiram a sorte que pode ser selinho, beijo no canto da boca, beijão e beijão com pegada.

Na quase totalidade dos casos o casal dá logo é um beijão com pegada, seja qual for o cartão sorteado e a câmera fica focalizando aquelas línguas, aqueles lábios, enfim, aquelas bocas, se engolindo e virando-se pra lá e pra cá, com as cabeças entortando-se de forma brusca e, nervosamente querendo demonstrar a melhor performance.

Um quadro típico de uma em situação característica de um ataque surpresa de epilepsia.

Caracas!

Em ambos os programas, o auditório vai a loucura, como se estivessem no antigo Coliseu romano onde o público ensandecido pedia aos gladiadores: Morte, morte, morte!

Neste caso, moderno, o auditório em crise histérica coletiva instiga o casal: Trepa, trepa, trepa!

O que é isso?

Antes de tentar explicar, deixe que eu lhes conte que, tempos atrás, conheci um senhor com seus quase oitenta anos de idade e naquela época estava no auge da moda, a minissaia, daquelas, bem no meio das coxas.

Este senhor então me disse:

- “Meu filho se na época que eu tinha vinte anos, as mulheres usassem estas saias, elas todas seriam estupradas em praça pública. Os homens da minha época, jovens e cheios de hormônios, não agüentariam ver uma mulher nua deste jeito!”.

Voltando ao beijo na boca.

Eu não tenho oitenta anos, um dia chegarei lá, mas sou da época que os homens chegavam até ao orgasmo ao dar um beijo na boca de uma mulher.

Hoje, os caras e as meninas ficam vários minutos se engolindo na frente das câmeras e ninguém goza?

Parecem que acabaram de chupar uma laranja, comer um sanduíche de mortadela...

O que está errado nesta história?

É que o erotismo do beijo na boca foi tão banalizado e substituído por um ato de exibicionismo, absolutamente, circense!

Não tem mais nenhum segredo, intimidade, jogo de sedução, mistério, nem absolutamente, nenhuma dificuldade, enfiar a língua na boca de terceiros, quartos, quintos... Que saudade!
Não tem mais conquista, pois afinal de contas a boca, a língua e o escambau, são coisas muito íntimas, sim!

Virou um esporte, como tiro ao alvo, ou no futebol, bater um pênalti, no basquete fazer uma cesta e no boxe botar o outro a nocaute.Acabaram-se as fantasias!

E por aí caminha também, fazer a prática do sexo.

Deixo bem claro que tudo isto que está acontecendo agora, e por mais paradoxal que pareça, sempre foi o grande sonho do “homem de ontem”, chamado de machista, predador, chauvinista ...e o que mais?
Lembram-se !
Este modelo de prática da sexualidade sem restrições, suruba total, mulheres absolutamente, disponíveis e entregando-se sem exigirem os menores esforços para serem conquistadas foi construído, e consentido exatamente, após as mulheres terem - e com todos os méritos - conquistado com lutas e muitos sofrimentos o atual patamar de liberdade social.

Onde foi que erramos?

Olha, ficou muito sem graça e, repito, se há alguns anos os homens torciam para que o sexo chegasse neste estado de liberalidade em nos encontramos, agora ao chegarmos, a gente fica lamentando de ter imaginado que isto se tornasse possível, um dia.
E tem homem que já nem larga, mais o seu, com medo de sequestro.
Então, meu amigo, freia este trem por aqui, pois corremos o risco de congelarmos nossos sentimentos, nestas tempestades de neve libidinosa e demonstrações pífias de sexualidade
.

CONHEÇA MELHOR UM HOMEM APAIXONADO.



O que caracteriza um homem apaixonado é aquele olhar assemelhado a um baiano sonolento, impregnado nos seus olhos, o que lhe determina uma característica especifica, popularmente denominada pela expressão: “olho de Peixe”. Aquele ar de idiota é só uma primeira e precipitada impressão. Ele está amando mesmo!

Eventualmente, homens mesmo não apaixonados podem apresentar tal característica, quando, por exemplo, ele enche a cara de álcool, só que nesse caso, além daquela singela cara, exala um vigoroso bafo etílico - tipo boca de alambique - e a conversa fica, absolutamente, insuportável, pois, o alcoolizado se sente encorajado a falar sobre futebol, política, Grécia antiga, piscinão de Ramos, mulheres andróides, física quântica, psicanálise, corrupção, filosofia clássica, astrofísica contemporânea, genoma humano, nanotecnologia, a recriação do big bang em laboratório, enfim, fala, fala, fala...

Já o apaixonado sóbrio, por estar completamente comprometido com aquela nova realidade das suas emoções, não admite sequer pensar em fugir nenhum minuto das suas fantasias amorosas. Só pensa naquilo e passa a ter um conjunto de comportamentos bem definidos, como falar de uma forma lerda, como se a língua estivesse enrolando no céu da boca e já estivesse cansado só em pensar que não vai conseguir parar de pensar nela.

Anda, como se estivesse pisando em ovos.
Este homem, fica absolutamente ,envolto e escravizado pelos sintomas de um amor eloqüente, é acometido de certa moleza corporal. Precisa ficar encostando-se em tudo, talvez para sentir as pernas nenos bambas e uma pseuda sensação de incômodo na boca do estômago. Fala com os amigos apertando-os, em voz baixa, com voz melosa e arrastada, sem ter pejo ,nem medo, de estar sendo ridículo. Fica um chato e só pensa em dar flores para sua amada.

Só fala em momentos, fatos e significados que só tenham valor para ele, pois são besteiras, inutilidades e notícias que nem as rádios comunitárias se preocupariam em divulgar.

Na maioria das vezes, o apaixonado é hilariante, como por exemplo, quando ele começa a descrever o jeito peculiar e único de como ela tira cera do ouvido, ou o jeito peculiar e único dela passar a mão no seu pescoço dele, o jeito peculiar e único dela estourar com a boca aquelas malditas bolas de chicletes ,o jeito peculiar e único dela ficar enrolando as pontinhas dos cabelos e ficar chupando tudo que lhe alivie a ansiedade.



Eu costumo dizer que este tipo de humano está com seus sistemas operacionais libidinosos, empanturrados de material especifico para uma farta e abundante reprodução da espécie, numa temperatura e pressão acima dos limites máximos permitidos pela fisiologia da normalidade.

Então é preciso expelir ,assim como, também acontece com as águas das grandes represas quando necessitam vazar ,esvaziar, verter e o escambau, devido ao excesso de pressão.


E bota pressão, nisso!

Esse tipo de sujeito enche o saco!

Vive perguntando tudo: o que você acha dele comprar aquele broche com aquela borboleta escarlate de olhinhos amarelos sugando o néctar de uma imitação de flor pendurada naquele galhinho de árvore, para ela?

Ou será que ela iria preferir aquela calcinha com um lindo coração, escrito: ”Gaiola do seu pica-pau”, bem na altura da sua “coisinha”, ou então "joaninhas trepando".
Fala sério!


Um homem não apaixonado, jamais usaria este termo “coisinha” para adjetivar o que normalmente, ele chama de perseguida, perereca ou aqueles outros dez mil nomes dos quais ele não esquece, nenhum !

Só um homem apaixonado chamaria aquilo de “coisinha”.


São absolutamente, hilárias certas colocações do homem apaixonado. O carioca que já fala, normalmente, no diminutivo, o que dirá quando apaixonado.

É o diminutivo do diminutivo, como, por exemplo:

- “Cara a gente estava tomando um chopinho, bem geladinho, e aí dei um beijinho naquela boquinha quentinha e muito gostosinha. Pô, meu irmão, que corpinho, que coxinha. Que mulherzinha. O maior baratinho, aí!”. E quando eles começam a descrever os encantos da parceira?

Então, está na hora de você deixá-lo falando sozinho.

Ele nem vai notar, pois, é um delírio que só os apaixonados se permitem: ficarem falando sozinhos e independente da presença de interlocutores.